Tamborar
O Tambor chegou à minha vida de forma mágica...
Lembro-me do primeiro círculo de celebração da Lua Cheia, na Quinta da Calma, facilitado pela sábia e grande amiga Luísa Perez. Foi aí que fiz a minha primeira viagem xamânica e, com ela, abriu-se uma enorme porta da minha visão…
Parecia magia aquilo a que acedi… De uma forma tão simples, a minha alma falava comigo…
Corri para casa e escrevi tudo. Ainda com as imagens vivas dentro de mim e toda a sua simbologia, escrevi como escrevo os sonhos: entre desenhos e palavras, tentando não deixar nada de fora.
Passou a ser a minha prática. A cada Lua Cheia ia receber as mensagens através do toque do tambor. No fim dançávamos e quem tinha tambor tocava o seu, ou uma maraca. Todos em círculo, celebrávamos em partilha e alegria, num espaço seguro e sagrado.
Mais uma Lua...
Um dia, a Luísa emprestou-me o seu tambor para eu também poder tocar na roda da celebração. Foi uma sensação tão forte de estar viva, de encontrar uma parte de mim... difícil de pôr em palavras…
Mais tarde, esta tribo linda, irmãos de alma e de caminho, organizou-se e ofereceu-me, como presente de aniversário, a construção do meu tambor com a querida Fiona Issler.
Foi um dia inesquecível e assim nasceu o meu primeiro Tamborcito.
A partir daí passou a ser o meu grande companheiro de viagem, de caminho, de vida.
Agora faz parte de mim…
Há quem me chame "a Tété dos Tambores". Dá-me sempre tanta ternura ouvir isso...
Quando regressei a Lisboa, depois da separação, com os meus três queridos filhos para iniciarmos uma nova etapa das nossas vidas, resolvi, por graça, construir um pequenino tambor para o Vicente, o mais novo. Queria que, quando me acompanhasse nas minhas voltas, também tivesse o seu Tamborcito.
Foi assim que nasceu o Tambor n.º 1!
Mal sabia eu que estava a dar início a um caminho que nunca mais deixaria de me chamar e de abrir portas… Um caminho feito de muitas aprendizagens, encontros e momentos que guardo com enorme gratidão.
Hoje, com cerca de 445 tambores construídos e facilitados, agradeço infinitamente por tudo o que este serviço me ensinou.
Ao longo deste caminho tive também a alegria de facilitar, durante cinco anos, uma formação anual dedicada à arte de Tamborar. Um percurso de nove meses onde, mais do que aprender a tocar tambor, aprofundávamos a presença, a relação com o sagrado e a sabedoria da nossa essência que vive em cada batida.
Deste caminho nasceram também cinco retiros de Tamborar, cheios de vida, verdade, alegria, simplicidade e essência. Dias onde o tempo parecia não existir e o Tambor nos reunia em círculo, recordando-nos a força da comunidade, da natureza e da celebração.
Poder acompanhar o nascimento de tantos tambores, em tantos lugares, com pessoas de culturas, histórias e crenças tão diferentes, é um privilégio imenso.
O Tambor é sempre o Tambor Sagrado.
O pulsar do Coração Uno…
É esta a visão que guardo no coração...
Toda a humanidade a tocar tambor junta…
Obrigada, Tamborcito, por todos estes anos de Tamborar…
Tété